The Snake Stories

Série Contos de Snake - Tempo Paralelo, Caleidoscópio e Romances em Fragmentos

 — E agora... essa sua brincadeira, que poderia ter-lhe matado... como pode ser tão tola para fazer o que Dominique lhe mandou? Ele está morto, não faz mais diferença, a promessa pode ser quebrada! 

  Julienne respirou profundamente, aprumando-se em sua postura.  — Sim... Grão-Mestre Hanon está morto... e eu havia prometido e a morte dele não muda as coisas!  E você ainda está vivo... e ele me pediu para trazê-lo de volta quando percebesse que estava se perdendo! – Suas últimas palavras saíram num só fôlego. Não havia mais razão para manter o temor e receio. 

  — Tola! – O Bruxo voltou-se novamente para o chão, negando com um meneio de cabeça. 

  Julienne engoliu o orgulho ferido. Será que pelo menos neste momento ele poderia parar de destratá-la?! 

  — É, eu sei... eu sou mesmo uma tola! Mas você precisa de uma mão que o traga à tona para respirar... – Julienne abrandou o tom autoritário de sua voz e abaixou-se para ficar ao mesmo nível de Lavoisier. — ... você precisa, Laurent... por isso estou aqui... 

  Lavoisier lutou contra a presença imposta dela, recusando-se a olhá-la. Por que ela tinha que ficar tão perto? Ela o estava provocando! E por que ele simplesmente não se levantava e saía dali, deixando aquela mulher tola falando sozinha?! 

  — O que a faz pensar, Srta. Jouvin, de que eu preciso da sua ajuda pra qualquer coisa? – Lavoisier sibilou de forma letal, tentando mostrar-se contrariado. 

  Ajoelhada diante dele, que já estava sentado no chão sobre as pernas, Julienne estava uma cabeça mais alta que Lavoisier. O Mestre Magista jamais ouvira palavras expressas com tanta doçura vinda de Julienne... Havia muito tempo que alguém falara com ele naquele tom... e, igualmente como todos que amou pereceu pelas mãos das Trevas. 

  — Eu não sei... não penso sobre isso... apenas sinto! 

  — Por que insisti nisso? Eu tirei a vida de Hanon! Deveria sentir ódio de mim e não compaixão... não tentar me... resgatar! 

  — Eu senti... e senti também mágoa, decepção... mas uma ideia fixa em minha cabeça me fez pensar que o Grão-Mestre Dominique Hanon jamais cairia numa traição... ele era poderoso demais para se enganar... então eu me lembrei da conversa que tive com ele... e entendi que não havia outra saída nem para ele e nem para você... e senti que você não estava conseguindo arcar com esse peso... Hanon disse que eu saberia quando e como ajudar. 

  Lavoisier deixou todas as suas convicções de lado e abraçou Julienne, que se sobressaltou pela surpresa do ato inesperado. Descansou sua cabeça no ombro da moça. Apenas instantes depois de passado o susto, é que ela retribuiu ao abraço, envolvendo seus braços esgalgados por sobre o pescoço e ombros de Lavoisier. 

  — Por que, senhorita... disse que estava no Inferno? – Lavoisier perguntou sem se separar um milímetro sequer de Julienne. Por ele, não sairia nunca mais dali, permaneceria abraçado a ela, envolto do calor aconchegante e do perfume que o acalmava... não se lembrava de alguma vez ter vivido tal momento. 

  — Porque... porque você estava... 

  Ao ouvir a doce resposta, Lavoisier abraçou-a ainda mais forte, querendo preencher o vazio de seu peito. Não queria que aquilo se findasse. Queria que fizesse parte da sua vida, que fosse a sua realidade, que estivesse presente no seu dia a dia! 

  Mas, para Julienne, não parecia surtir o mesmo efeito. Ela ainda permanecia tensa e logo quebrou a atmosfera que envolvia ambos. 

  — Não é seguro continuarmos aqui. Já estamos tempo demais na Citadelle e podem acabar nos encontrando. 

  — Não se preocupe, não há o que temer... depois do ataque de hoje, todos os outros Soldados voltaram para suas casas a fim de festejar a virada do ano... não haverá mais ataques por pelo menos uns dois dias. – Lavoisier afastou-se um pouco de Julienne e voltou a encará-la. A mulher engoliu seco a frieza do comentário dele. 

  — T-tudo bem, mas... eu prefiro sair daqui. Fazer todos esses feitiços me tirou muita energia, e os feitiços de proteção estão enfraquecendo. 

  — Você fez tudo isso sozinha... foi brilhante, mas vindo de você não é surpreendente... mas, como conseguiu me encontrar, como soube que eu estaria por aqui? 

  — Eu não sabia... vamos para o Forte Danúbio. Mesmo que lá esteja deserto, é mais seguro do que estar aqui. 

  — Não! Danúbio, não! 

  Lavoisier se desvencilhou de Julienne e se afastou dela. A mulher aproveitou a deixa e levantou-se, se afastando também.   — Eu não posso ficar mais aqui. É muito perigoso para nós dois. Em Danúbio estaremos seguros e poderemos ficar tranquilos. 

  Julienne olhou tristemente para Lavoisier, teleportando-se em seguida. O Magista levantou-se em seguida, um pouco aturdido. Mil coisas passavam por sua cabeça, inclusive que poderia ser uma armadilha do Resistência Autônoma para capturá-lo. 

  Por quanto tempo mais sobreviveria naquele mar trevoso, sem respirar?   E qual era o melhor das duas únicas opções que tinha? Ser morto pelo Senhor das Trevas ou capturado pela Forças Revolucionárias? 

  Lavoisier concentrou-se e teletransportou.


Continua... 

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