The Snake Stories

Série Contos de Snake - Tempo Paralelo, Caleidoscópio e Romances em Fragmentos

As cortinas estavam abertas, o que possibilitava a entrada da fraca luminosidade. Lavoisier despertou tranquilamente, mas estranhando o ambiente. O que tivera não foi um sonho, mas uma realidade alterada, e julgava se encontrar no gabinete de Hanon. 

Sentou-se na cama e continuou introspectivo, absorvendo tudo que ouviu do líder revolucionário. Mas isso não o fez se sentir melhor. Aliás, no momento, não sentia nada, pois o sono profundo havia sedado suas emoções. 

Passou algum tempo sentado na cama. Com as pernas arqueadas e as mãos apoiadas sobre os pés, as solas encostadas uma na outra. Olhou para a janela e viu que a neve começava a se acumular no batente e logo a taparia por inteiro. Foi quando Julienne bateu à porta e abriu sem esperar permissão. 

— O Espírito do Grão-mestre Hanon me disse que talvez já estivesse acordado, então vim ver se o senhor não quer tomar café. 

Os Duendes-serviçais que ainda estão por aqui ficaram tão animados de haver alguém em Danúbio que prepararam um banquete um tanto quanto exagerado, e acho uma pena se não aproveitarmos. 

Lavoisier permaneceu imóvel e em silêncio, apenas olhando para a mulher. E lembrou-se do que havia acontecido antes de estar ali, admirando-a ainda mais profundamente pela poderosa Magia executada no Teatro Mágico. Lembrou-se do que ela disse sobre senti-lo... e das palavras de Hanon, para quem jamais havia segredos. 

Algo aqueceu seu peito e sentiu uma estranha pressão crescente, trazendo aquilo que viu retratado em seu jovem Eu do Espelho da Alma: seus ideais nunca maculados e a esperança de finalmente fazer com que eles se concretizem. 

Sem dizer uma palavra, Lavoisier levantou-se calmamente da cama e andou até Julienne, que apenas o observava em expectativa, apoiada na porta semiaberta. Parou muito próximo à moça, que o olhava também com admiração, por jamais ter visto nele uma expressão branda, os olhos negros reluzentes e quase adocicados. Era mesmo de se admirar que Laurent Lavoisier tivesse tal capacidade humana de se pôr à frente de alguém sem empunhar armas. 

— Tenho certeza de que os serviçais não ficarão chateados se nos atrasarmos um pouco para o desjejum... 

Julienne faz-se de sonsa: — Não sei por que iríamos nos atrasar.. a não ser que o senhor demore horas para se arrumar. 

Lavoisier segurou a mão de Julienne, fazendo-a se afastar da porta fechada em seguida. Ela tinha plena consciência da situação, mas apenas esperava para que ele tomasse a iniciativa. Não pretendia se esquivar e nem tomar mais atitudes do que já tomou até então. 

Queria definitivamente se entregar ao seu coração, de tão cansada já estava em negar a si mesma os seus sentimentos. Isso doía mais do que uma desilusão.

Continua... 

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