The Snake Stories

Série Contos de Snake - Tempo Paralelo, Caleidoscópio e Romances em Fragmentos



Parte 1 – Amargas Lembranças
O
s sinos da Catedral St. Paul soavam. Eram 6 da tarde, fim de expediente, fim de mais um dia de trabalho. Se não fosse por insistência de uma colega, dizendo que o expediente acabara por hoje, Dakini Shaitan passaria mais algumas horas ali, naquele escritório. Não que o trabalho burocrático que exercia era a coisa mais prazerosa do mundo, mas era a sua grande fuga da realidade e a certeza de estar livre das boas e más lembranças que se tornaram sua vida nos últimos anos: Boas lembranças de tempos que jamais voltarão. Más lembranças que poderiam levá-la à insanidade, à ruína total.
Dez anos se passaram depois da formatura no Instituto de Magia e Alquimia Hermes Trismegistus. Foram anos acadêmicos muito bem vividos, assim dizia seu lado aventureiro. Afinal, passar por tantas agruras, tantas batalhas, tantas emoções e ainda sair viva de tudo isso para contar história era quase tão irreal quanto os filmes Hollywoodianos que eram produzidos em massa para mero e descartável entretenimento. Ela saíra viva sim, mas não sem ferimentos profundos que ungueto alguma jamais cicatrizaria. Mas, enquanto ainda aluna de Hermes Trismegistus, seja pela sensação de segurança que o local lhe passava, comandado por um dos maiores magos da História, Casimiro Arcoverde, ou seja pela tenra idade, ou mesmo ambos, esses fatos e acontecimentos nunca lhe abateram como agora lhe abatiam, dez anos depois... dez anos mais velha. Já não era mais uma menina, embora jamais tenha sido uma menina igual às outras, sempre à frente de seu tempo, mas há coisas que só mesmo o tempo pode trazer: Como a consciência mais árdua e repressora, que trás a ponderação mais crítica sobre os fatos e atitudes.
Dakini já não era mais uma menina e, todos os sonhos e ambições que tinha, tornaram-se inalcançáveis. Não porque ela não teria capacidade de atingir todas as metas que planejou ao longo de seus nove anos de estudos na escola de Alquimagia, afinal, capacitação, competência e inteligência jamais lhe faltaram; mas porque ela própria riscou, definitivamente, toda e qualquer meta que envolvesse algo do mundo Bruxo, o Mundo Magnífico. As perdas de pessoas que lhe foram muito caras, seja para a morte ou mesmo para a própria vida, serviram de bússula a que rumo tomar. E, em suas análises, essas perdas jamais teriam acontecido se ela própria jamais estivesse envolvida com esse mundo.
Dessas perdas fatais, a mais irreparável e dolorosa foi a dos pais: mortos lenta, covarde e dolorosamente, simplesmente porque eram seus pais! Mesmo após a derrota do Mago Negro Anthrax, seus discípulos continuaram semeando sua doutrina e, ironicamente, os ataques de Soldados Escuros se tornaram ainda mais constantes e violentos. Como vingança, começaram a caçar as famílias de todos aqueles que se opuseram ao Mago Negro. Por motivos óbvios, aqueles cujas famílias eram de Inconscientes, como eram chamadas as pessoas sem dons magísticos, foram os mais perseguidos, sendo os mais fáceis de serem atingidos.
Pelo fato de Dakini ter lutado diretamente contra Anthrax ao lado de Pedro Garret, Dominique Hanon, William Lamport e Casimiro Arcoverde, seus pais tiveram a cabeça posta a prêmio, com suas vidas sendo um troféu para aquele Soldado que conseguisse encontrar e liquidar os Shaitans. Dakini descobriu tarde demais, chegou tarde demais até mesmo para saber qual o autor daquele crime bárbaro. O algoz de seu pai e sua mãe nunca foi descoberto e jamais pagaria pela barbárie que cometera! Muitos Soldados Escuros morreram pelas mãos dos Agentes de Lei e militantes do grupo paramilitar independente Resistência Autônoma: alguns, como uma ironia do destino, pereceram pelas mãos de Inconscientes, que não ficavam a espera da proteção divina para lhes salvar. Então, jamais saberiam se o assassino dos pais de Dakini estava vivo ou morto.
Esse pensamento infantil nunca lhe serviria como consolo, mas Dakini gostava de imaginar que o assassino pudesse ser um daqueles Soldados cegos de orgulho que foram mortos por Inconscientes: um por uma velha, mas eficiente arma de fogo nas mãos de um neurótico militar reformado; outros dois mortos numa explosão ao abordarem um terrorista que se preparava para detonar uma bomba no metrô de Londres - uma dupla ironia que seria cômica se não fosse trágica; e outros três que se divertiriam com aquele bando esquisito de jovens Inconscientes, não fossem eles uma violenta gangue que comercializava drogas e armas no subúrbio barra-pesada de Londres...
“Maldição! Por que toda a sexta-feira é isso?! Por que todas as sextas, nesta maldita hora, esses pensamentos teimam em poluir ainda mais minha mente?! Maldito inferno! Gostaria de enlouquecer de vez! Talvez conseguisse esquecer de uma vez por todas essa existência desgraçada! Talvez acabar com tudo de vez! Já desisti de tudo mesmo, já me...”
Alguém bate à porta do lavabo, interrompendo os pensamentos destrutivos da moça.
¾ Dakini! Tá tudo bem contigo? Vamos logo, menina! Senão vão trancar a gente dentro desse prédio!
¾ Tá tudo bem sim, Margareth! Só estou terminando de me maquiar...
¾ Anda logo! (Como se você fosse assim tão vaidosa!) - Margareth completa num sussurro para si, dando de ombros, já impaciente.
Dakini terminou de lavar o rosto, tentando esconder as suas lágrimas invisíveis, que sequer brotavam mais, mas que seus olhos inchavam e sua pele ruborizava do mesmo jeito.
¾  Nem chorar mais eu consigo... e isso dói tanto!
"Lágrimas que não são externadas tornam-se graves enfermidades..." Dakini ia com essa frase na cabeça, enquanto descia pelo elevador acompanhada de sua colega. Lera a frase há tempos numa revista feminina qualquer, mas ela não sabia se isso era uma forma literária - e até poética - ou se era algo realmente físico, comprovado cientificamente. Lembrou-se que, na época, não tivera nenhum interesse em ler a matéria cuja frase estava destacada em grandes letras. Fechou os olhos, jogou a cabeça para trás e suspirou fundo. Era mesmo o fim da picada! Ela, Dakini Shaitan, se preocupar com revistinhas sexistas femininas! Estava realmente vivendo o que chamaria de mazela existencial!
¾ Dakini! Tá no mundo da lua de novo? Afinal você vai ou não? - pergunta uma Margareth indignada e totalmente alienada quanto ao estado que a colega se encontrava - cada dia pior.
¾ Vou s-sim... não! Não, quero dizer, do que estávamos mesmo conversando?
¾ Putz, Dakini! Você é mesmo uma cabeça oca! Não sei como conseguiu ser a primeira contadora executiva da empresa! Eu estava perguntando se você vai mesm... - Margareth se interrompeu quando o elevador chegou ao térreo, abrindo as portas e vendo um rapaz bonito e elegante à espera na portaria, que lhe sorria com um grande buquê intencionalmente mal-escondido.
— Aaah! Não acredito! Bob?! - Margareth exclamou numa vozinha irritantemente rouca, num sorriso escancarado.
Margareth saiu numa corridinha arrastada por causa dos saltos finos de 10 centímetros, até se agarrar ao pescoço do belo rapaz, onde ambos grudaram num beijo cinematográfico... até um pouco demais!
Dakini sentiu os rosto corar, baixando a cabeça. Esse tipo de situação a deixava embaraçada, como se ainda tivesse 10 anos de idade... ou seria uma ponta de inveja? Por mais que se analisasse, não sabia o que responder - ou tinha medo da resposta! Gostaria muito de ter alguém por perto assim, com uma frase de carinho, mesmo que clichê, alguém que a esperasse chegar em casa ou mesmo saísse do trabalho. Não que suas colegas de trabalho vivessem um grande romance, mas talvez fosse interessante se entregar a um relacionamento boçal e despretensioso. Porém, não tinha coragem para tal. De certo modo, talvez realmente não quisesse isso. Seria descer demais ao subsolo de sua falência existencial.
¾ Ô, cabecinha de vento! Você tá demais hoje heim! - Falou Margareth, falsamente brava.
¾ O que foi agora, Margareth?
¾ Ah, quer saber? Mais tarde eu te ligo e a gente combina se vamos juntas ou não na festa da empresa amanhã!
¾ Tá ok, então! Estarei a noite toda em casa... - disse Dakini, sem muito interesse.
¾ Booom, não digo o mesmo de mim… - diz Margareth em tom malicioso, olhando para o namorado que a encarava da mesma forma. ¾...depois a gente se fala. - Completou, já saindo abraçada com o rapaz e dando um olhar de despedida com um largo sorriso para a colega.
***
Apesar de tudo, era um agradável fim de tarde, que trazia o vento fresco de fins de Verão. Os últimos raios de sol se confundiam com as luzes das ruas e prédios, num quase agradável tumulto de pessoas saindo do trabalho e lotando as ruas do principal centro econômico de Londres, o City. Pessoas falavam e riam alto, andavam rápido, desviando-se automaticamente uns dos outros. Os barzinhos e pubs começavam a lotar com o pessoal fazendo sua happy hour.
" ¾ Estou realmente num abismo sem fundo... Miss Sabichã Shaitan ser chamada de ‘cabeça oca’ e ‘cabecinha de vento’ por alguém como Margareth, num intervalo de menos de 5 minutos, é mesmo o fim do mundo!"
Dakini andava aparentemente tranquila, sem muito entusiasmo para chegar ao ponto final do ônibus. Era mais demorado chegar em casa assim, e ainda tinha que andar uns dois quarteirões a mais para chegar até seu prédio, mas era uma viagem mais agradável do que ir mais rápido pelo metrô. Talvez a palavra agradável não seja bem o termo. Achava-se sufocada no metrô lotado e gostava de olhar a mesma paisagem de prédios e carros engarrafados da janela do ônibus e, bem...
¾ Isso é o inferno! Não consigo mais nem sequer distinguir o que me é mais cômodo... pior ainda é eu estar me questionando de algo dessa natureza!”
Para espantar a ânsia de choro, Dakini ergueu sua cabeça, observando a multidão à sua volta: pessoas andando apressadas de um lado ao outro, como se a multidão fosse uma tempestade em alto mar; pessoas em grupos rindo abertamente, nas mesas externas dos bares; outros apressadinhos dentro do conforto de seus automóveis, buzinando para os 20 segundos de sinal vermelho; pessoas que entravam e saiam também apressadas de prédios e lojas; casais que passavam abraçados, outros que insinuavam algum beijo naqueles grupinhos de colegas de trabalho nos bares. " ¾ Por que isso me incomoda tanto? Droga, pelo menos essa resposta eu sei!"
Dakini voltou a caminhar cabisbaixa, lembrando-se de seus inseparáveis amigos do Instituto de Magia e Alquimia Hermes Trismegistus... Inseparáveis? Apenas vieram e se foram juntos com a Era Trismegistus. Desde a morte de seus pais, há 8 anos, nunca mais voltou a encontrar qualquer um de seus amigos ou qualquer outro com quem tenha convivido naquela escola. Havia decidido, definitivamente, abandonar o Mundo Magnífico que, no fim das contas, lhe trouxera mais amargura do que qualquer outra coisa. Roland, Virgínia, Noar, Pamela, Laís, todos os outros alunos de sua Casta ou das demais que auxiliou de alguma forma, seja na monitoria ou nas lições. Até mesmo Drákon Nagayuna, que decidiu tocar sua vida e sua fortuna ao invés de se aliar a Anthrax, como todos imaginavam... e Pedro...
Respirou fundo, fechando os olhos, sentindo-os arder. Choraria, mais uma vez, se ainda lhe houvesse lágrimas. O que terá acontecido? Secaram-lhe as lágrimas, como se isso fosse uma fonte limitada? Chorou tanto e por tanto tempo que agora não conseguia mais derramar uma pequena gota sequer? E isso doía o peito! Uma dor que subia para a garganta, indo direto à cabeça, formando uma pressão dolorosa por onde passava! Sabia que a dor aliviaria se conseguisse derramar essas lágrimas novamente, mas parecia que tinha perdido totalmente essa capacidade!
Lembrou-se novamente de Pedro, com aqueles olhos tão expressivos, tão belos e tão azuis, que mesmo seus inseparáveis óculos não conseguiam ofuscar. E o amou silenciosamente por tanto tempo, demonstrando apenas nos gestos mais singelos. E ele nunca percebeu - ou nunca se importou de verdade!
Fez de tudo por ele. Tudo que estava ou não ao seu alcance. Tudo que fosse ou não possível! Arriscou sua vida diversas vezes e o fez unicamente por ele. O amou tanto e ele nem sequer ligava. Jamais sequer a convidou para qualquer um dos Bailes de Primavera. Nem em seu último baile, o da formatura, em que decidiu se declarar de vez, usando a linguagem verbal mesmo, para ele se tocar quanto aos seus sentimentos. Mas não o pode fazer, pois ele estava acompanhado de Virgínia Orzabal. Foi nesse momento que brotou em seu coração a mágoa que se enraizaria profundamente ao longo dos anos seguintes, regada a todas as coisas ruins que aconteceriam, firmando-se de vez com o assassinato de seus pais... e com o abandono daqueles que ela considerava como amigos, por não entenderem e não aceitarem a sua fraqueza diante do ocorrido.
Mas, neste momento, o que lhe angustiava era a constatação de que tudo que fizera, durante a época de Hermes Trismegistus, fora totalmente em vão: todas as horas de estudos, depositadas diante de livros; todo o esforço e concentração em todas as aulas, que fazia por si e por seus amigos desleixados, mas fazia o esforço e sacrifício dobrados, se fosse preciso, para auxiliar seu amado Pedro! Todas a vezes que teve de engolir desaforos e injustiças, seja de alunos ou daquele Mestre Alquimago estúpido! E para quê serviu tudo isso? Nada! Estava hoje sozinha, sem amigos e sem família, tendo abandonado o Mundo Magnífico a qual também pertencia, tendo que aturar um emprego burocrático chatíssimo e a companhia de pessoas mesquinhas e sem conteúdo!
Se, ao menos, quando mais precisou de apoio tivesse recebido... se os amigos não tivessem se afastado ao constatar que a Grande Sabichã Shaitan era também humana e sujeita às fraquezas, à depressão, ao desespero... Quando ela mais precisou! Se ao menos Pedro tivesse ficado por perto, mesmo como o amigo que fora por 9 anos em Hermes Trismegistus, mesmo a essa altura ele sabendo dos sentimentos dela... Mas, até mesmo o poderoso Pedro Garret fora mesquinho demais, não quis arriscar seu promissor noivado com Virgínia Orzabal, aquela tola sem noção! E, até mesmo Roland, a quem tanto auxiliou, preferiu apoiar a decisão do amigo e, obviamente, a irmãzinha, quando esta começou a dar irracionais demonstrações de ciúme barato!
" ¾ Meu Deus! Eu acabara de perder meus pais! Eles foram mortos porque estavam ligados a uma Bruxa que lutou contra Anthrax! E papai e mamãe ainda estariam aqui se eu não fosse essa Bruxa! Se eu não fosse Bruxa! E mesmo assim Pedro, Roland, Virgínia, optaram por seus mundinhos mesquinhos, colocando coisas amenas diante da tragédia que eu estava vivendo! Como sempre fui idiota! Eu só era importante na hora de auxiliá-los em algo que dissesse respeito às suas vidas!"
Dakini parou novamente, escondendo o rosto com as mãos, erguendo a cabeça como se quisesse esconder suas lágrimas invisíveis. O peito doía mais que nunca! A pressão em sua garganta quase fazendo sua cabeça explodir. Hoje sua perturbação estava extrapolando os limites!  Teria continuado dessa forma por um bom tempo mais se algum grosso mal-educado não tivesse lhe dado um esbarrão, o que fez voltar a si e olhar raivosamente quem havia esbarrado nela. Mas sua raiva e indignação desmanchou-se para surpresa e indagação, ao perceber que o som da rua voltava aos seus ouvidos e que as pessoas se acotovelavam e corriam em várias direções. Finalmente conseguiu assimilar a situação: as pessoas estavam em pânico. Muitas fugiam, outras, assim como ela, estavam paradas, tentando entender o que estava acontecendo, até que...
Ouviu palavras que não ouvia há muito tempo, faladas em altos brados. Vários raios multicolores atingiam postes, prédios, carros e pessoas. A multidão estava se dissipando, então Dakini pôde ver o que acontecia, não muito distante de onde estava: um grupo de três pessoas encapuzadas, em trajes negros, pareciam se divertir com o tumulto que provocavam, rindo alto e abertamente, enquanto lançavam feitiços de seus Bastões Magísticos. Viu pessoas caídas no chão; viu fachadas dos prédios circundantes destruídas; viu um homem carbonizado! Que diabos de maldição era essa?!!
Automaticamente, abriu a bolsa e retirou o seu próprio Bastão Magístico. Mesmo que tivesse abandonado o Mundo Bruxo, decidido nunca mais voltar para essa vida, ainda assim continuava a portar, para onde quer que fosse, o seu Bastão, que sempre lhe fora útil e jamais a decepcionou em qualquer momento.
Há anos não o utilizava, há 8 anos exatos não se utilizava da Magia. Talvez estivesse totalmente desabilitada, talvez nem sequer lembrasse mais das palavras cabalísticas, exatamente. Mas estava tão chocada com o que via à sua frente, com todo aquele pânico e com tudo acontecendo em questões de segundos. Estava chocada com a ousadia daqueles Soldados Escuros, que faziam sua festinha em pleno centro comercial de Londres, no local mais movimentado da Inglaterra! Eles teriam se tornado tão poderosos assim ou seriam apenas estúpidos demais? Todas essas questões passavam pela cabeça de Dakini em frações de segundos e, sem se importar com que estivesse em sua volta, apontou seu Bastão para os Soldados.
Lançou um feitiço atordoante contra o Soldado que atentava uma mulher carregada de sacolas, nocauteando-o e jogando-o longe, fora de combate.
Os dois outros Soldados procuraram, incrédulos e desesperados, por quem lançou o feitiço sobre o companheiro. Dakini não hesitou e outro caiu pesadamente, tão rígido quando uma rocha. Ela estava tão exasperada e tão fora de si, como se estivesse em um de seus pesadelos, que não pensou em se proteger ou esconder, ficando à mercê dos bandidos.
—CRUCIFICAÇÃO PELO FOGO!!
Um raio de filamentos vermelhos e negros atingiu certeiro o peito de Dakini. Tudo o que ela viu, antes de tombar com uma dor que parecia lhe rasgar e incendiar por dentro, foi um clarão branco, seguido por uma voraz escuridão que tomou conta de seus sentidos, parecendo a engolir por inteiro. O seu sangue parecia ferver nas veias, sentindo como se seus nervos estivessem se dilacerando.
E as trevas a devoraram por inteiro, até não mais perceber ou sentir nada mais, nem sequer a dor.

Primeiro capítulo do livro Caleidoscópio.

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